Transição para o Ensino Médio pode afetar bem-estar dos adolescentes

  • 29/09/2026
(Foto: Reprodução)
Escola de Salvador investe em orientação educacional, educação socioemocional e ações de convivência para apoiar estudantes DIVULGAÇÃO O processo de transição do Ensino Fundamental para o Ensino Médio pode trazer mais impactos do que pais e educadores imaginavam. Segundo uma pesquisa conduzida pela Universidade da Austrália, os efeitos negativos dessa transição podem perdurar por dois anos, comprometendo diretamente a sensação de bem-estar. O estudo, publicado no Journal of Child Psychology and Psychiatry, analisou dados de um censo estadual realizado no sul da Austrália entre 2019 e 2025. No período, em virtude de uma reforma educacional, grupos de idades diferentes migraram para o Ensino Médio simultaneamente. Esse detalhe permitiu que os pesquisadores separassem o que era efeito da idade e do amadurecimento do que era efeito da mudança escolar. Os resultados mostraram um grande declínio na saúde mental e na satisfação, com uma queda generalizada em todos os aspectos de bem-estar avaliados. O quadro reflete a dificuldade de adaptação às novas exigências acadêmicas, aos novos grupos sociais e ao distanciamento de amigos próximos e de adultos de confiança — a exemplo dos professores que os acompanhavam desde o processo de alfabetização. O estudo defende ainda que as escolas devem tratar a transição não como um evento único e pontual, mas como um processo contínuo de observação e suporte aos alunos. Na Rede Salesiana, com unidades de ensino em Salvador e Camaçari, existe uma estrutura de suporte contínuo para acompanhar a transição dos estudantes, abraçando desde a passagem da Educação Infantil para o Ensino Fundamental Anos Iniciais (EFAI), deste para o Fundamental Anos Finais (EFAF) e, por fim, para o Ensino Médio. “O Serviço de Orientação Educacional (SOE) é responsável por minimizar os efeitos da chegada aos novos segmentos. No Colégio Salesiano, temos esse propósito desde a finalização da Educação Infantil (Infantil 5) e entrada no Ensino Fundamental Anos Iniciais, um período de preparação, troca de experiências, bem como o devido acompanhamento até a conclusão da Educação Básica em nosso espaço. Contamos também com o auxílio da Psicóloga Escolar, que trabalha em parceria com o SOE no intuito de contribuir com os processos”, pontuou Ana Ruth Carvalho, coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental Anos Finais e do Ensino Médio do Colégio Salesiano. Uma geração que precisa de cuidados O declínio da saúde mental de crianças e adolescentes também gera preocupação no Brasil. Dados mais recentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelaram que 42,9% dos estudantes de 13 a 17 anos entrevistados responderam que se sentem “irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa”. Já 18,5% pensam sempre, ou na maioria das vezes, que “a vida não vale a pena ser vivida”. O IBGE entrevistou quase 120 mil adolescentes de escolas públicas e privadas de todo o Brasil. O quadro preocupante revela ainda que três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmaram que se sentem tristes sempre ou na maioria das vezes, e uma proporção semelhante também revelou que já teve vontade de se machucar de propósito. Para Cynthia Tanajura, psicóloga escolar do Salesiano Bahia, é papel das instituições escolares atuar no cuidado com a saúde mental de crianças e adolescentes. No caso da Rede Salesiana, é realizado um trabalho em rede que envolve a proposta pedagógica, os ensinamentos de Dom Bosco e a oferta de uma educação socioemocional, bem como a observação ativa para identificar estudantes que estejam precisando de um acolhimento diferenciado. “Essa identificação acontece através da observação cuidadosa de professores, colaboradores e, algumas vezes, dos próprios colegas, como também de sinalizações das famílias. Os estudantes costumam buscar os adultos da escola, principalmente o SOE, pois os vínculos são trabalhados desde o início do ano letivo e ao longo deste período”, afirmou. A partir desse momento, o estudante passa a ser acompanhado pelos profissionais da escola. As orientações do SOE fazem parte desse processo, sendo mantida uma comunicação próxima com a família e agendados encontros com profissionais externos, quando necessário. Um bom exemplo de toda essa cadeia de cuidados à saúde mental desenvolvida pela Rede Salesiana é a campanha anual de convivência, que em 2026 segue o mote “Conviver é um prazer!”. Sob esta temática, estão sendo realizadas diversas ações, desenvolvidas com a participação dos alunos e famílias, para a prevenção do bullying e do cyberbullying, agressões que agravam o quadro de ansiedade. Segundo Cynthia, através da campanha os alunos passam a conhecer as características das situações que configuram o bullying e o cyberbullying, a diferenciá-las de conflitos pontuais e a entender que o acolhimento e o suporte devem envolver todas as partes: agressor, vítima e plateia. “A relação que estamos sempre buscando alimentar é de confiança e empatia, para a resolução e redução de danos, fomentando a cultura da paz na escola e fora dela”, completou. Com orientação educacional e psicologia escolar, Rede Salesiana busca acompanhar os estudantes em diferentes momentos da formação DIVULGAÇÃO Prevenção através da educação Diferentes aspectos biopsicossociais que permeiam a vida dos adolescentes podem ser elencados como gatilhos para os casos de ansiedade: forte pressão acadêmica, autocobrança, dificuldade em fazer amigos, comparações estéticas e inseguranças físicas, exposição intensa às telas, uso excessivo de plataformas digitais e, como vimos no estudo da Universidade da Austrália, a própria transição do Fundamental para o Ensino Médio. Na avaliação de Ana Ruth Carvalho, a prevenção aos casos de ansiedade passa pela educação de forma humanizada. “No nosso cotidiano, buscamos por um espaço cada vez mais acolhedor e humanizado, tornando real a máxima que o nosso fundador nos impulsiona a perseguir: ‘Não basta amar os jovens, é preciso que eles saibam que são amados’”. A coordenadora se refere a Dom Bosco, fundador do Sistema Preventivo que leva seu nome e norteia a instituição de ensino há mais de 120 anos. “Encaro Dom Bosco como um educador de vanguarda, visto que suas orientações e ensinamentos condizem com a contemporaneidade. Para Dom Bosco, e para nós, o afeto não deve ficar apenas no pensamento ou no coração de pais e educadores. A proposta baseia-se em caminhar junto aos jovens, ouvindo suas necessidades e auxiliando na construção da formação pessoal para torná-los ‘bons cristãos e honestos cidadãos’, nos comprometendo com o ser humano que entregaremos à sociedade para que seja um agente multiplicador após os portões salesianos”, concluiu Ana Ruth. Para Cynthia, o Sistema Preventivo de Dom Bosco se atualiza e se aplica aos conflitos sociais contemporâneos à medida que privilegia a escuta ativa, o acolhimento e a resolução de conflitos com verdade e justiça. A proposta pedagógica salesiana está pautada no desenvolvimento da inteligência emocional de crianças e adolescentes, com dinâmicas socioemocionais presentes no cotidiano da escola, no pátio e nas salas de aula. “A Educação Socioemocional faz parte da rotina semanal dos estudantes. Eles têm encontros com a professora especialista, que propõe atividades diversificadas, incluindo histórias, músicas, pequenos vídeos e jogos de tabuleiro.” Tais vivências têm como objetivo eliciar emoções e buscar soluções para pequenas situações cotidianas. Dessa maneira, as crianças vão ampliando o vocabulário e o repertório comportamental para lidar com situações semelhantes no seu convívio, seja na escola ou fora dela. “Identificar as próprias emoções e as dos outros, entender como funcionam e qual a função delas nas nossas relações intrapessoais e interpessoais faz muita diferença para a convivência nos vários ambientes sociais a que pertencemos ao longo da nossa trajetória. Desenvolver o autoconhecimento, habilidades de autorregulação e comunicação assertiva facilita a vida em grupo e estabelece os limites individuais para o bem-estar no dia a dia”, completou Cynthia. Como resultado da proposta pedagógica, a psicóloga destaca que os estudantes passam a se expressar melhor verbalmente, conseguindo descrever seus sentimentos e necessidades, observam com mais atenção e cuidado os colegas e são capazes de oferecer ajuda, desenvolvendo empatia. “Também aprendem a negociar melhor nos momentos de conflito, questionam mais, se tornam mais disponíveis. As famílias relatam essas mudanças de forma muito positiva, inclusive trazendo depoimentos de como as crianças se tornam mais receptivas e atentas também aos sentimentos dos familiares”, concluiu.

FONTE: https://g1.globo.com/ba/bahia/especial-publicitario/salesianos-bahia/noticia/2026/09/29/transicao-para-o-ensino-medio-pode-afetar-bem-estar-dos-adolescentes.ghtml


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